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Carta de Grenoble: Mais uma palavrinha chave: iFood

2009-03-03
Por Susana Teixeira

Susana Teixeira
Susana Teixeira
Desta vez escrevo da Inglaterra, onde uma estudante me inspirou mais uma carta com uma interpelação a propósito duma tendência que citei, ligada ao regime alimentar dos jovens. Como é natural, tudo o que liga a Ciência ao dia-a-dia cativa mais facilmente a curiosidade dos que assistem às minhas aulas, mas desta vez a reacção não foi a esperada. Com aquela vivacidade desconcertante da sinceridade inocente, a estudante comentou que amanhã eu poderia bem estar a citar um artigo que dizia o contrário. E tinha razão, claro.

Senão vejamos: todos nos lembramos da recomendação de beber um copo de vinho tinto por dia; tão alegremente acolhida por tantos, um péssimo pretexto para muitos mais.

ND - Os subtítulos são da responsabilidade de Ciência Hoje

Carta de Grenoble: 10 de Setembro, o dia de todas as inquietações

2008-09-05
Por Susana Teixeira
Susana Teixeira
Susana Teixeira
Há dias perguntaram-me se “aquela coisa que os físicos estão a fazer lá para a Suíça não vai dar cabo de nós todos”... Vieram-me à cabeça os Lusíadas, o Adamastor, as superstições e receios dos navegadores. Afinal o medo é intemporal e o que assustava as nossas gentes há séculos atrás não é muito diferente do que se lê por aí hoje em dia.  Embora nos seja possível, a maior parte do tempo, ignorar as áreas menos intuitivas da Ciência, como os meandros intrincados da Física das Partículas, há (e sempre houve) momentos na história da humanidade em que não as podemos ignorar porque nos cruzam o caminho e afectam directamente o nosso presente, o nosso dia-a-dia. Disso são exemplos, para mencionar só os que me vêm à cabeça primeiro, as armas nucleares, as radiografias ou as reacções de fissão (por onde pode bem passar a solução para a crise energética que paira sobre as nossas cabeças).

Dióxido de Política

Carta de Grenoble

2007-02-12
Por Susana Teixeira
Susana Teixeira
Susana Teixeira
Gostaria de culpar uma qualquer greve francesa pelo atraso desta carta, mas a verdade é que o motivo é menos provável (e plausível, para quem me conhece!). Na verdade não sabia o que dizer sobre o assunto que me compelia a escrever. Por culpa deste meu hábito britânico de falar do tempo, decidi escrever sobre o afamado aquecimento global. Contudo não consegui firmar palavra numa opinião clara, porque a não tenho. Ninguém pode censurar-me, face às campanhas sensacionalistas em torno de um assunto que só deveria fundamentar-se em factos validados por entidades isentas.

A árvore do paraíso...

Carta de Grenoble

2006-07-13
Por Por Susana Teixeira
Aproveito a liberdade do tom permissivo de uma carta para vos confessar que, não fora mais uma das impressionantes trovoadas Alpinas, o calor deste Verão abafado teria vencido a minha vontade de vos escrever. Quem sabe um dia destes nem a preguiça canicular servirá de desculpa, quando uma qualquer miniatura substituír o conceito de carta como documento escrito e tornar mais fácil ainda comunicar.

Hoje como há um ano pela primeira vez, escrevo de Grenoble onde o Verão e um microclima fazem frequentemente parecer primaveris as temperaturas estivais do nosso Portugal. Esta é hoje em dia uma cidade quente, plena de calores preenchidos por macro-ânimos, mega-revoltas, giga-receios contra coisas que não se vêem, mas que se sentem como o peso da desconfiança.

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Vírus do Chikungunya: uma ameaça (quase) desconhecida

Carta de Grenoble

2006-02-28
Por Por Susana Teixeira
Susana Teixeira
Susana Teixeira
Os noticiários em França não têm mãos a medir com a catadupa de acontecimentos que atacam o país, vindos um pouco de toda a parte. Contrariamente ao que tem esporadicamente divertido – e que bem que faz ver os portugueses alegres! – o nosso país nas últimas semanas, a neve aqui queda-se tímida e deixa-se empurrar para um canto insignificante da actualidade francesa, ignorada pelos jornalistas.

É verdade, os franceses andam inquietos e têm razões para isso. Afinal, em Novembro do ano passado deu-se algo inédito nos últimos 44 anos: foi decretado o estado de emergência devido aos distúrbios causados pelos protestos de imigrantes, na sua maioria árabes e africanos, contra a discriminação racial. Do norte surgiram então os tão falados cartoons da Dinamarca...

Parangonas terroristas

Carta de Grenoble

2005-12-28
Por Por Susana Teixeira
Foi no início do século passado que o britânico James Chadwick foi laureado com o prémio Nobel da Física pela descoberta dos neutrões. A estas partículas fundamentais dedicou-se Enrico Fermi, o italiano que três anos depois foi também premiado pela descoberta de novos elementos radioactivos e a promoção de reacções nucleares através de neutrões desacelerados. Estavam assim estabelecidos os princípios que levaram à criação de reactores nucleares com fins científicos, logo após a Segunda Guerra Mundial. Desde então, as chamadas ciências de neutrões têm conhecido um crescimento constante sustentado pelos resultados obtidos e o respectivo impacto na vida de todos nós, mesmo através de uma consentida capa de ignorância que parece cobrir os reactores nucleares de receios obscuros, tão mais gritados depois do famoso acidente na central de Chernobyl em 1986.

Ingleses preocupados com a idade...

Carta de Grenoble

2005-11-02
Por Por Susana Teixeira
 Não raramente dou por mim a pensar o que fez do país X ou país Y aquilo que é, o que o tornou conhecido, como chegou até aos nossos dias usufruindo das riquezas e tecnologias que hoje lhe reconhecemos. Questão tão mais pertinente quando se vem dum país tão atraente como Portugal, com uma bagagem histórica que prova do que somos capazes. E se a resposta nem sempre é óbvia, certo é que frequentemente é simples. Países que à primeira vista poderiam parecer desfavorecidos, condenados ao fracasso por condições geográficas, políticas ou outras, prosperam firmando as suas bandeiras e culturas no globo. Singram contra o vento às custas de soluções de engenho e arte, que se opõem teimosamente aos que gostam de usar a palavra “impossível”. Como diria Einstein, "Any intelligent fool can make things bigger, more complex, and more violent. It takes a touch of genius - and a lot of courage - to move in the opposite direction."        

Carta de Grenoble

Janela com vista para o reactor

2005-10-21
Por Por Susana Teixeira*

O que avisto da minha janela já não é a entrada do Polygone Scientifique, onde se faz investigação desde que o Institut Laue Langevin (ILL) entrou em funcionamento. Agora estou no último piso do edifício já acarinhado com a sigla de CIBB (Carl-Ivar Bränden Building). Daqui vejo o reactor do ILL, este velho dinossauro, sempre em forma, que por insondáveis desígnios se viu premiado com uma pausa. Durante alguns meses o reactor não estará disponível para utilisadores, preço a pagar para que sejam optimisadas as instalações do que já é tão somente o líder mundial em investigação com neutrões.

* Estudante Postdoc no I.L.L em Grenoble

Carta de Grenoble

Sonhos científicos entre queijos, vinhos e chocolates

2005-07-22
Por Por Susana Teixeira*

Escrevo de Grenoble, uma cidade no coração dos Alpes franceses. Aqui abundam bons vinhos, bons queijos, inúmeras iguarias, e muitas chocolatarias – demasiadas! -  que derretem a resistência até dos pouco gulosos. Vêem-se tantas bicicletas por pessoa quanto em Portugal se vêem telemóveis e, mais espantosamente ainda, as pessoas usam-nas mesmo como verdadeiro meio de transporte válido e eficaz. Isto apesar de Grenoble ser vista pelos franceses como uma cidade com demasiado trânsito automóvel e insuficiente uso dos transportes públicos. Não haja dúvidas de que o nível de exigência dos franceses é superior ao nosso. Afinal, ao que é bom habituamo-nos depressa...

* Estudante Postdoc no I.L.L em Grenoble

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