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As maleitas

Descubra as diferenças

2006-10-14
Por Por Manuel Dias
Um belo dia, lemos as folhas, ouvimos a rádio, vemos a televisão e aí está, multiplicada, uma notícia que não pode deixar de alvoroçar-nos, de ferir uma cordinha da nossa sensibilidade, ainda que, no género, não faltem precedentes portadores de esperança: foi descoberta, na América, cura para o cancro. O cancro da pele, especifique-se, mas a pele é o que menos interessa, a palavra-chave é cancro. Uma palavra de horrenda sonoridade, indissociável da conotação: sofrimento, morte provável. Só ocasionalmente alguém associará tal palavra ao signo do Câncer (do latim cancru, representado no Zodíaco por um caranguejo) ou, excepcionalmente, ao Trópico de Câncer, da trilogia de Henry Miller (Os brasileiros chamam cancer ao cancro, mas isso é lá com eles).

O cheiro do chumbo

Descubra as diferenças

2006-09-22
Por Por Manuel Dias
Nos balcões, nas bancas e montras e seja lá o que for dos quiosques, das tabacarias, dos cafés, das estações de serviços (é corrente chamar-se-lhes bombas e, pensando bem, está tudo ligado, a gasolina, petróleo, os americanos e os árabes e nós todos, o povinho, vulgo mexilhão), nos estendais de oferta ao leitor, enfim, por entre a deslumbrante exposição de revistas cor-de-rosa ou “do coração” – que, como há muito se descobriu, não é o centro da inteligência – apareceu um novo jornal, um semanário, que, por acaso, vem ocupar o lugar de outro jornal, outro semanário, que deixou de ir a jogo pelo simples e drástico motivo de ter fechado as portas. O recém-nascido dá pelo nome de Sol e não custa admitir-se que a sua vocação seja iluminar tudo em redor como o propriamente dito, essa fulgurante estrela que, quando nasce é, supostamente, para todos.

Maria do Jactobol

Descubra as diferenças

2006-10-01
Por Por Manuel Dias
O cenário era o Jardim da Cordoaria, aliás de João Chagas, mas o povo, tanto como os eruditos, faz e refaz a língua e chama as coisas pelos nomes que acha mais jeitosos. Antes das recentes obras de “remodelação - o inferno está cheio de boas intenções, como é sabido – a Cordoaria era um espaço verde quando não se falava em espaços verdes, tinha ervas, flores, arbustos, árvores – uma das quais era conhecida por Árvore da Forca, apesar de, contrariando a lenda, nunca ter sido usada para pendurar ninguém pelo pescoço. 

Alô, alô!

Descubra as diferenças

2006-09-14
Por Por Manuel Dias *
Onde se confirma que o mundo é vário e, de alguma maneira, contra o que poderia legitimamente esperar-se, está avariado.

Joaquim Baptista da Silva Leitão, visconde de Almeida Garrett, nunca dispôs de telefone, do mesmo modo que Jesus Cristo (ao longo de 33 anos antes dele próprio), não tinha biblioteca, segundo a palavra autorizada de Fernando Pessoa. Seja como for, o cavalheiro português e o filho de Deus fizeram o que fizeram, assim ganhando, por incontrariáveis méritos, lugar na História: o primeiro espalhou a palavra, política e não só, e deixou obra escrita, o segundo também espalhou a palavra, religiosa e não só, e ficou como protagonista da Bíblia, o livro dos livros.

* Manuel Dias nasceu a 19 de Julho de 1934, na freguesia da Vitória (Porto). Jornalista desportivo e funcionário bancário de 1955 a 1963, foi para Paris e, no regresso, em 1965, entrou como profissional para o diário O Primeiro de Janeiro, onde chegou a redactor principal. (Ver nota biográfica completa no fim do artigo)

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