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Açores investem em telescópio de vanguarda

Antigo aparelho “viu” única supernova descoberta por portugueses

2011-05-11
Observatório Astronómico de Santana
Observatório Astronómico de Santana
A única supernova descoberta por astrónomos portugueses foi vista pela primeira vez através do telescópio que está instalado no Observatório Astronómico de Santana (OASA), em São Miguel, nos Açores, que será em breve substituído por um equipamento mais moderno.

“O novo equipamento será do mais moderno que existe no país”, revelou Helena Sousa Soares, presidente da Fundação para o Desenvolvimento Sócio-Profissional e Cultural da Ribeira Grande, que gere o observatório.

O modelo do novo telescópio ainda não foi definitivamente escolhido, sendo uma das opções em estudo um aparelho que pode ser comandado remotamente, por exemplo, a partir de uma sala de aula, onde os alunos podem dar ordens para que o telescópio mostre o ponto do céu que indicaram.
A aquisição do novo aparelho deve envolver um investimento de 20 mil euros e permitirá melhorar as condições disponibilizadas a todos os que se deslocam ao OASA para observar o céu, que ascendem a várias dezenas nas noites em que a lua está no quarto crescente.

O aluguer de horas a astrónomos de outros pontos do país e do estrangeiro que pretendam deslocar-se aos Açores para observar o céu a partir do centro do Atlântico também é uma das possibilidades que fica em aberto.

O novo telescópio, que deve estar operacional dentro de poucos meses, vai substituir o que está actualmente ao serviço, através do qual, às 23h07 de 12 de Abril de 1999, os astrónomos João Porto e Juan Gonçalves viram pela primeira vez a supernova (corpo celeste que surge depois da explosão de estrelas) que veio a ser baptizada com a designação ‘SN1999bw’.

Esta foi a única supernova descoberta por portugueses
Esta foi a única supernova descoberta por portugueses
Democratização do conhecimento científico


O OASA, situado no Pico do Bode, na Ribeira Grande, integra a rede de centros de ciências existente nos Açores que pretende promover o conhecimento científico e o acesso a inovações tecnológicas. Nesse sentido, o observatório, que está a comemorar o décimo aniversário, assume-se como um ponto de encontro de astrónomos amadores, mas também como espaço de apoio interativo e didático aos programas escolares na área da ciência.

“A divulgação da ciência é fundamental, hoje em dia já não existe conhecimento científico só para algumas pessoas”, afirmou o secretário regional da Ciência e Tecnologia, José Contente, frisando que “a ciência é uma mais valia para a sociedade pelo papel que pode desempenhar na economia”.

Nesse sentido, assegurou que o executivo açoriano “vai continuar a apoiar a rede de centros de ciência que está a ser criada pelo papel que tem na divulgação do conhecimento científico e pela sua importância pedagógica”, frisando que o objectivo é “ter uma população cada vez mais consciente e educada para a ciência”.

José Contente, que falava na cerimónia comemorativa do décimo aniversário do OASA, realizada ontem à noite, definiu a “democratização do conhecimento científico” como uma das prioridades da rede de centros de ciência criada pelo Governo dos Açores.

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