UTAD desenvolve tecnologia para pessoas com necessidades especiais
«Blavigator», «SOS Phone» e «MECBraille» são algumas das propostas

Uma bengala electrónica para ajudar cegos a deslocarem-se ou uma aplicação que permite pedir ajuda por telemóvel sem recurso a voz são alguns dos projectos desenvolvidos na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) para pessoas com necessidades especiais.
No passado dia 3, celebrou-se o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Em Portugal existem, segundo os Censos 2001, 2,2 milhões de pessoas idosas e com deficiência. Na UTAD intensifica-se a investigação na área da acessibilidade e da reabilitação.
A bengala possui uma antena, um leitor de identificadores de rádio frequência e uma pequena caixa onde está incorporada toda a electrónica que permite fazer a leitura dos identificadores. Estes são etiquetas que poderão ser colocadas na via pública ou em edifícios e que transmitem informação à pessoa que leva a bengala.
O projecto integra várias tecnologias, tais como informação georreferenciada, GPS e visão por computador de forma a detectar obstáculos e transmitir essa informação ao utilizador. Pedir socorro por telemóvel vai ser também mais fácil graças à nova aplicação «SOS Phone», que permite usar serviços de emergência sem recurso à voz e sem necessitar de realizar chamadas telefónicas.
O programa foi desenvolvido por duas alunas do curso de Engenharia Biomédica e dois professores do Departamento de Engenharias. O «SOS Phone» foi concebido a pensar em surdos e idosos. A aplicação dispensa a comunicação oral ou escrita, bastando seleccionar opções pictográficas que simbolizam os aspectos a relatar.
Terminada a comunicação, é enviada para a central de emergência uma mensagem contendo o código correspondente às situações reportadas e as coordenadas de localização do utilizador, de forma a facilitar uma mais rápida assistência.
Francisco Godinho, do Centro de Engenharia de Reabilitação em Tecnologias de Informação e Comunicação (CERTIC), criado na UTAD há dez anos, referiu que “é cada vez mais evidente o papel que a tecnologia pode ter na melhoria da qualidade de vida das pessoas com necessidades especiais”.
E há cada vez mais soluções. Por exemplo, um guarda-chuva adaptado para pessoas em cadeira de rodas, um comando de televisão adaptado ou um corta-unhas para pessoas com mobilidade reduzida ou até mesmo o «MECBraille - Marco Electrónico de Correio Braille», que disponibiliza gratuitamente um serviço de conversão e envio de textos e cartas em Braille.
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