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Ansiedade leva a envelhecimento prematuro

Pessoas com elevados níveis de stress têm menor tamanho de telómeros

2012-07-13
Ansiedade elevada associada a envelhecimento
Ansiedade elevada associada a envelhecimento
A ansiedade acelera o processo de envelhecimento natural do ser humano, segundo avançou uma equipa de investigadores do Hospital Brigham and Women, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

O recente estudo, publicado anteontem na PLoS One, mostra que quanto mais ansiosa for determinada pessoa, menor é o tamanho dos seus telómeros – estruturas constituídas por fileiras repetitivas de proteínas e DNA que formam as extremidades dos cromossoma e funcionam como um protector para os cromossomas assegurando que a informação genética (DNA) relevante seja perfeitamente copiada quando a célula se divide.
Os telómeros são considerados marcadores do envelhecimento biológico ou celular e os encurtados foram ligados a um maior risco de cancro, doenças cardiovasculares, demências e aumento da taxa de mortalidade.

Para o estudo, a equipa de cientistas analisou amostras de sangue de 5.243 mulheres com idades compreendidas entre 42 e 69 anos. Usando as amostras, os investigadores analisaram o comprimento dos telómeros e questionários a que responderam as voluntárias, sobre níveis de ansiedade e possíveis sintomas de fobia.

Segundo os resultados, maiores níveis de ansiedade e maior número eventos de fobia foram associados a telómeros de comprimento significativamente mais curto. “Muita gente questiona se o stress pode acelerar o envelhecimento”, disse a coordenadora do estudo, Olivia Okereke e acrescenta “que o estudo estabelece uma ligação entre uma forma comum de stress psicológico, que é a ansiedade acompanhada de fobia, e um mecanismo para envelhecimento prematuro”.

No entanto, a equipa ressalva que é necessário realizar mais investigações para saber “se é de facto a ansiedade que provoca o encurtamento dos telómeros, ou se é o contrário”.
Miguel Godinho Ferreira (IGC)
2012-07-16
11:24
Este estudo vem no seguimento de outros feitos em colaboração com a E. Blackburn, prémio Nobel em 2009 pela descoberta dos telómeros e da telomerase. Dado que tema continuará a estar presente nos media, penso que é necessário ser balanceado com uma critica mais formal. Principalmente porque, neste momento, existem companhias que vendem testes directamente ao publico que visam medir o tamanho dos telómeros. A comunidade cientifica não têm a certeza (!) do que estas medidas indicam.

Quanto a mim, cientificamente, existem três problemas fundamentais com estes estudos. O primeiro vem com a estatística. Quando se olha para os dados, as correlações (que existem) explicam só uma pequena parte da população total. O segundo tem que ver com o método usado. É desenhado para medir a media do tamanho dos telómeros. Ora, nós sabemos que a média não é inteiramente relevante pois são os telómeros curtos que sinalizam danos no DNA e senescência. E não esta’ provado, neste momento, que a média se relaciona linearmente com a variância. Por isso, pode ser tudo sem significado... O terceiro problema prende-se com o tecido usado - o sangue. Ninguém sabe exatamente como se relaciona o tamanho dos telómeros no sangue com o resto dos órgãos.

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