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Missão Neemo simula a visita a um asteróide

Aquanautas têm conversas através do tempo debaixo de água

2012-07-19
Mini-submarino simula veículo espacial <br> (NASA/ESA/Hervé Stevenin)
Mini-submarino simula veículo espacial
(NASA/ESA/Hervé Stevenin)
O astronauta da Agência Espacial Europeia (ESA) Tim Peake passou recentemente 12 dias debaixo de água com três outros aquanautas para tentar descobrir como é que os astronautas poderão explorar os asteróides. A missão Neemo simulou a visita a um asteróide a 15 milhões de quilómetros da Terra, quase 39 vezes mais longe do que a Lua.

A esta distância, uma mensagem da Terra leva cerca de 50 segundos a chegar à tripulação. Mesmo que um astronauta responda imediatamente a uma mensagem do posto de controlo terrestre, os operadores na Terra ainda terão que esperar pelo menos um minuto e 40 segundos para ouvir a resposta. Quaisquer assuntos urgentes ou interrupções são impossíveis.
Neemo foi a primeira operação complexa na qual astronautas e equipa de controlo consideraram os atrasos temporais nas comunicações e por isso tiveram de aprender como é que estes intervalos temporais afectam as comunicações.

Hervé Stévenin, da ESA, tem anos de experiência a comunicar para a tripulação da Estação Espacial Internacional e foi convidado para a missão: “Na Estação, quando falamos com os astronautas a resposta é instantânea. Na Neemo, tivemos que repensar completamente as comunicações – estávamos a ouvir o passado e a falar ao futuro, tudo ao mesmo tempo”.

Os controladores conseguiram contornar o atraso das comunicações. Primeiro, usaram cronómetros para os ajudar a perceber em que momento deveriam esperar receber uma resposta dos astronautas subaquáticos. A seguir tornou-se óbvio que algumas mensagens de voz deveriam ser anunciadas. Hervé explica: “Enviámos mensagens importantes anunciando o destinatário e o assunto da mensagem. Por exemplo, 'Aquarius, MCC [Centro de Controle da Missão], Espaço para Terra Um, mensagem para Tim' em dez segundos”. A pausa dava tempo aos aquanautas para pararem o que estavam a fazer e prestarem atenção. Isto evitou mensagens de repetição que poderiam atrasar o trabalho durante três minutos ou mais.

Hervé Stevenin foi convidado para a missão Neemo (ESA/NASA)
Hervé Stevenin foi convidado para a missão Neemo (ESA/NASA)
Finalmente, um novo sistema de comunicação foi testado. Muitas mensagens não urgentes foram enviadas através de um programa de chat, o que permitiu várias conversas ao mesmo tempo, semelhantes aos programas de chat da Internet. Os astronautas podiam ler mensagens e responder no seu próprio tempo.

Chat de texto

Hervé acrescenta: “Nós descobrimos que o chat de texto é o sistema de comunicação mais adequado para as missões em asteróides, completado com mensagens de voz para manter o lado humano. Se uma mensagem de voz for complexa, enviar também a mesma mensagem por texto ajuda muito”.

Esta foi uma das simulações subaquáticas mais complexas alguma vez realizadas. Mais de 80 engenheiros, mergulhadores e outros técnicos trabalharam 14 horas por dia para apoiar os aquanautas da unidade móvel de controlo da NASA.

Além das tarefas de comunicação, Hervé tem também apoiado a missão como mergulhador: “Ser um mergulhador Neemo ajuda a perceber os constrangimentos e os desafios do meio ambiente em que os aquanautas trabalham”, concluiu.

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