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Nova técnica torna mosquito transmissor do vírus da dengue estéril

Investigadores brasileiros usam radiação para evitar que Aedes aegypti se prolifere

2012-08-02
Estudo evita que mosquito fertilize fêmeas transmissoras do vírus
Estudo evita que mosquito fertilize fêmeas transmissoras do vírus
A dengue ou febre-amarela é um dos principais problemas de saúde pública no mundo e o tratamento restringe-se apenas a combater os sintomas da doença. Por isso, uma equipa de investigadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena/USP) e da Bioagri (Brasil) desenvolveu uma técnica para tornar  o mosquito transmissor do vírus (Aedes aegypti) estéril e acreditam que seja uma nova forma de combater esta patologia, que mata cerca de 20 mil pessoas por ano.

A investigação tem como objectivo interferir com o ciclo reprodutivo do insecto, através de um processo radioactivo, sem fazer uso de produtos químicos e sem gerar qualquer tipo de impacto ambiental.
Com uma baixa dose de radiação gama, o laboratório de Radiobiologia e Ambiente do Cena/USP conseguiu tornar o mosquito infecundo, que até põe os ovos, mas esses não eclodem. “Usamos uma quantidade de energia que não mata o insecto, mas provoca mudanças no seu sistema biológico”, explicou o professor Valter Arthur, coordenador do estudo.

O ciclo de criação do pernilongo passa do ovo à larva, seguindo-se a pupa e por fim chega o adulto em, aproximadamente, 14 dias, mas o processo de intervenção dos cientistas ocorre na fase de pupa, em que são irradiadas fontes de Cobalto-60, fazendo com que os machos se transformem em insectos estéreis. “Copulam, mas não fertilizam as fêmeas, que são as transmissoras do vírus da dengue, ou seja, o ciclo continua completo. Mas, como os ovos não geram nada, conseguimos baixar significativamente a infestação do mosquito e, consequentemente, o da doença”, assinalou ainda o investigador.

Os mosquitos são criados na unidade da Bioagri, e posteriormente submetidos à radiação, já no laboratório do Cena. “Iniciamos o estudo há pouco mais de três meses e ainda estamos a tentar determinar a dose esterilizante”, disse Márcio Adriani Gava, director técnico da Bioagri. “Posteriormente, iniciaremos os testes de campo, como dispersão, liberação e compatibilidade do Aedes aegypti estéril com a linhagem selvagem”, continuou.

Valter Arthur definiu a investigação como uma forma simples de controlo biológico ecológico, onde se utilizará o próprio insecto para combatê-lo, sem o uso indiscriminado de insecticidas. “O objectivo é reduzir a transmissão da dengue, por meio da liberação no ambiente de mosquitos machos estéreis em grande quantidade, que competirão com os nativos. Uma vez copuladas, as fêmeas vão gerar os ovos inférteis, que não eclodirão, e consequentemente levando a uma diminuição da população de transmissores da dengue”, concluiu.

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