Gosta de picantes? Talvez valha a pena!

* Licenciada em Biologia Microbiana e Genética pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e doutorada em Neurociências pelo King's College London em 2009.
Pessoas que toleravam o picante, tinham maior probabilidade de sobreviver em oposição às intolerantes. Além disso, a ingestão de picantes provoca uma sensação de queimadura levando ao aumento da produção de suor que instantaneamente conduz ao arrefecimento do corpo. Efeito muito benéfico em países muito quentes!

A capsaicina activa umas proteínas existentes no neurónio, as TRPV1, igualmente accionadas quando a temperatura aumenta para 37 - 45ºC. Aqui o sistema nervoso é enganado pela malagueta. Sentimos simultaneamente dor e calor!
A informação de dor e calor passa da língua para a espinal medula e desta para o cérebro sempre através de impulsos eléctricos e químicos numa sequência perfeita de neurónios, semelhante aos carris de um comboio. No cérebro, activa umas regiões específicas de dor e calor, de entre as quais o hipotálamo. Quando a informação “picante” chega ao hipotálamo, este responde ordenando “transpiração”. Esta nova ordem, sai do cérebro em direcção à produção de hormonas para quase todo o corpo. Quanto mais picante a malagueta mais se transpira.
Este processo que acabei de explicar ocorre também com a pimenta e o gengibre. Estas substâncias picantes são muito utilizadas para o tratamento de dores musculares com efeito de analgésico. Estudos sugerem ainda que poderão ser benéficas para prevenção de demência e estados depressivos.
Fica agora uma questão: será que há menos doenças neurodegenerativas em populações “viciadas” em picante?
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